Insônia na menopausa: causas e como tratar

Mulher com dificuldade para dormir durante a menopausa, acordada à noite na cama.

A insônia na menopausa é uma queixa comum entre mulheres que estão passando por essa fase da vida. Dificuldade para adormecer, despertares durante a madrugada e sensação de cansaço ao acordar podem comprometer o bem-estar e a qualidade de vida.

As alterações hormonais da menopausa podem contribuir para esses problemas, mas não são a única causa. A boa notícia é que existem tratamentos eficazes para melhorar o sono.

Por que a menopausa pode causar insônia?

Durante a transição para a menopausa, os níveis de estrogênio e progesterona sofrem alterações. Essas mudanças podem influenciar o sono, especialmente quando estão associadas a ondas de calor e suores noturnos.

Os chamados fogachos podem provocar despertares repetidos, dificultando a manutenção de um sono contínuo e reparador.

Outros fatores também podem contribuir para a insônia nessa fase:

  • Ansiedade, estresse e alterações de humor.

  • Mudanças no ritmo do sono relacionadas ao envelhecimento.

  • Necessidade frequente de urinar durante a noite.

  • Apneia obstrutiva do sono e outros distúrbios do sono.

Por isso, nem toda dificuldade para dormir durante a menopausa deve ser atribuída exclusivamente aos hormônios.

Quais são os sintomas da insônia na menopausa?

A insônia pode se manifestar de diferentes maneiras:

  • Demora para conseguir adormecer.

  • Despertares frequentes durante a madrugada.

  • Acordar muito cedo e não conseguir voltar a dormir.

  • Sono pouco reparador.

  • Cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração durante o dia.

Quando esses sintomas se tornam frequentes e prejudicam as atividades diárias, é importante investigar suas causas.

Como tratar a insônia na menopausa?

O tratamento depende dos sintomas, da intensidade das dificuldades para dormir e das condições de saúde de cada mulher.

1. Terapia cognitivo-comportamental para insônia

A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é considerada o tratamento de primeira linha para a insônia crônica.

Ela utiliza estratégias para modificar hábitos e comportamentos que dificultam o sono, além de trabalhar pensamentos e preocupações associados à dificuldade para dormir.

Diferentemente do uso de medicamentos para dormir, seus benefícios podem persistir após o término do tratamento.

2. Terapia hormonal da menopausa

Quando a insônia está relacionada a ondas de calor e suores noturnos, a terapia hormonal pode melhorar a qualidade do sono ao controlar esses sintomas.

Entretanto, a terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres. Sua utilização depende de avaliação médica individualizada, considerando benefícios, riscos e contraindicações.

Também não deve ser considerada um tratamento universal para qualquer dificuldade de dormir durante a menopausa.

3. Hábitos que ajudam a dormir melhor

Algumas mudanças na rotina podem contribuir para melhorar o sono:

  • Mantenha horários regulares: procure dormir e acordar aproximadamente nos mesmos horários.

  • Evite cafeína no fim do dia: café, energéticos e alguns chás podem dificultar o início do sono.

  • Prepare o ambiente: mantenha o quarto escuro, silencioso e em temperatura confortável.

  • Pratique atividade física: exercícios regulares podem favorecer a qualidade do sono.

  • Reduza o uso de telas antes de dormir: evite atividades estimulantes próximo ao horário de deitar.

  • Evite álcool como estratégia para dormir: ele pode favorecer despertares e prejudicar a qualidade do sono.

Essas medidas são importantes, mas podem não ser suficientes para tratar a insônia crônica sem acompanhamento específico.

Melatonina e medicamentos para dormir funcionam?

A melatonina participa da regulação do ciclo sono-vigília, mas não é uma solução comprovadamente eficaz para todos os casos de insônia na menopausa.

Medicamentos para dormir também podem ter indicações específicas, porém alguns apresentam riscos, como sonolência durante o dia, quedas e dependência.

Por isso, o uso de suplementos ou medicamentos deve ser discutido com um profissional de saúde, evitando a automedicação.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica quando a dificuldade para dormir persistir, prejudicar suas atividades ou provocar cansaço importante durante o dia.

Também é necessário investigar sintomas como ronco intenso, pausas respiratórias durante o sono, sonolência excessiva ou alterações significativas de humor.

O acompanhamento pode envolver ginecologista, clínico ou especialista em medicina do sono, conforme a situação.

A insônia na menopausa tem solução?

Sim. A insônia na menopausa pode ser tratada, e muitas mulheres conseguem recuperar uma boa qualidade de sono.

O mais importante é identificar os fatores envolvidos e escolher o tratamento adequado. Em alguns casos, controlar os fogachos é suficiente para melhorar as noites. Em outros, é necessário tratar a insônia diretamente ou investigar outros distúrbios do sono.

Dormir mal não precisa ser aceito como uma consequência inevitável da menopausa.

Referências

  1. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Management of Menopause-Related Vasomotor, Sleep, and Mood Symptoms. Obstetrics & Gynecology, 2026. DOI: 10.1097/AOG.0000000000006428.

  2. International Menopause Society. Recommendations and key messages on women’s midlife health and menopause. Climacteric, 2025. DOI: 10.1080/13697137.2025.2585487.

  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Menopause: identification and management. Guideline NG23.

  4. American Academy of Sleep Medicine (AASM). Behavioral and psychological treatments for chronic insomnia disorder in adults. Clinical Practice Guideline, 2021.

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